segunda-feira, setembro 15, 2008

Não me pergunte por que

Sempre adorei contar histórias, isso não significa que eu seja bom no ofício. Faço porque gosto, assim como tem gente que gosta de fazer tricô. Faz e pronto, não espera que venha alguém atestar suas habilidades.

Hoje me deparei com um caderninho que eu usava para rabiscar minhas histórias, alguns pensavam ser um diário, mas bastava abrir a primeira página para constatar que aquilo era muito mais do que contar o que acontecia na minha vida, porque desde cedo eu sabia que a vida real não valia a pena, bom mesmo era a ficção.

No citado caderno havia apenas uma história, por acaso, incompleta e desconexa, talvez pelo seu título genérico demais. A história se chamava HISTÓRIA, assim mesmo e ainda ilustrada com o desenho de um avião em pleno vôo, não me pergunte por que?

A história começa com uma almofada que se rebelava, eu não expliquei porque, mas a almofada estava revoltada. A trama da almofada segue sem que eu mesmo que escrevi tenha entendido coisa alguma. Lá pras tantas, a almofada se suicida destroçando-se toda. A dona da almofada chora tanto que enche uma jarra. Já vi na ficção personagens chorarem rios de lágrimas, mas jarras nunca. Realismo fantástico na veia!

O resto da história nem interessa a vocês, nem a mim, porque a trama caminha por um enredo frágil e inverossímel até pra um surrealista drogado. O fato é que ainda hoje não vivo sem inventar história e foi muito bom encontrar aquele menino solitário que inventava seu mundo numa folha de papel e vivia nele com medo do mundo do portão pra fora. Porque no mundo dele uma almofada não ficava parada e lesa num sofá a mercê quem chegue e a esmague, lá até uma almofada tem direito a se rebelar. Não me pergunte por que.

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