segunda-feira, novembro 30, 2009

Caríssima Louana,

Caríssima Louana,

Imagino que deve estar estarrecida ao abrir esta carta, por dois motivos suponho eu: um por ter recebido uma carta nesses tempos de orkut, e-mail, msn, twitter... e outro por ter sido eu o autor da carta. Como se não bastasse seu espanto, vou somar a ele a revelação de que irei publicar, mesmo sem a sua permissão, essa carta em meu blog. Isso mesmo, eu tenho um blog. Você sempre me dizia que o que eu escrevia parecia bonito, pois é...

Certamente várias pessoas vão ler essa carta antes de você, pois um blog é mais rápido que os correios, mesmo você morando na mesma cidade que eu, mas me deu na telha hoje de escrever uma carta, depois do que li de Fernanda Young no jornal. Ela disse que uma carta é o jeito de falar mais sincero que existe. Pensei em quem eu escreveria uma carta sincera e me lembrei de você que fez parte da minha vida há tantos anos e simplesmente sumiu do meu caminho e eu do seu.

Eu mudei muito de quatro anos pra cá, aliás, eu mudei muito de 22 anos pra cá, eu vivo mudando, não sei se isso é bom. Talvez hoje a gente nem goste das mesmas coisas mais. Por exemplo, não suporto mais pipoca doce e finalmente concordei que Pink Floyd é bom. Eu continuo tentando fazer de tudo com mil projetos. Continuo alimentando meu caderninho sujo de idéias ordinárias e você continua sendo a única pessoa desse planeta que leu o caderninho. Às vezes eu me pego lembrando daquele padeiro que a gente idolatrava por fazer o melhor pão ciabatta de calabresa do mundo ou de Olinda.

Eu vivo querendo me encontrar com as coisas do passado, eu não quero vivê-lo novamente, não ia agüentar a minha ingenuidade dos tempos em que eu te conheci. Só queria olhar de longe, sentir o cheiro do ciabatta que saia sempre às 4 da tarde na padaria, dia sim, dia não. Queria encontrar você de novo, não 4 anos depois, mas 4 anos atrás. Tenho medo do que você pode ser hoje, sem querer lhe ofender, você me conhece. Aliás, você ão tem orkut né? É até bom que eu fico imaginando o que aconteceu da sua vida. Vou encerrar por aqui, a carta está pequena, mas o post está longo.



Felicidades,

do amigo de sempre.




Um comentário:

Ana Aitak disse...

Que lindo ,que lindo... Parei aqui atrás de saber se muganga significava mesmo o que eu tava pensando. Descobri que sim, que vc foi feliz ao colocar esse nome no blog e que seu blog merece ser lido muito mais do que esse único post que li. Abração