Hoje que a noite está calma e que minh´alma esperava por ti... Quando alguém engata esse versos num encontro regado a muito álcool logo é acompanhado por um coro que continua a música numa louvação a breguiçe do amor, do sofrer por amor. Porque o leitor há de concordar que não existe nada mais brega do que um homem apaixonado. A mulher apaixonada é uma Madame Bovary e o homem é um Waldick Soriano.
A música se chama Tortura de amor, atribuída a o ícone do Brega Sir Waldick Soriano. A canção é muito bonita e só não alcançou o status merecido no cancioneiro nacional porque saiu da caneta de um homem rústico de chapéu de aba larga e roupas extravagantes. Hoje a música é trilha de prostíbulo ou de fossa de homem traído, mas a letra é de uma delicadeza que só pode ser percebida se a escutarmos para além dos esteriótipos que puseram nela. Uma ótima chance para fazer isso é ouvir a regravação que o grupo português Clã fez desse sucesso em 2007, com a voz tocante e afinada da revelação Manuela Azevedo, num cult-fado-jovem. Vale a pena!
“Quero ternura nas nossas vidas, quero viver por toda vida pensando em ti” diz um dos versos de Waldick. Esse romântico inveterado que foi recentemente homenageado com um show e um documentário dirigido por Patrícia Pillar. Essa justa honraria, que veio pouco antes da sua morte, é um trabalho obrigatório para aqueles que torcem o nariz para a figura de Waldick, porque só quem amou de verdade sabe que o amor acima de tudo é brega.
Ouça aqui a canção com o grupo Clã

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