De cara com Monga
Com 20 janeiros e mais um pouquinho, já está mais do que na hora de confessar alguns traumas, até para exorcizá-los de vez. Vou começar por um que me atormenta até hoje: o arrependimento de nunca ter suplantado meu medo de conhecer Monga, a mulher macaco. A mitológica criatura, ainda hoje, é o símbolo dos meus medos. Toda vez que penso em amarelar, Monga aparece.
Tive inúmeras oportunidades de entrar no container escuro onde a tosca boazuda virava um gorila horrendo, todo parque de diversões tem. Hesitava, me encorajava, chegava na porta e voltava. Já cheguei até a pagar ingresso e voltar da porta, pedindo que um primo meu fosse no meu lugar, pra ver pela terceira vez naquela noite a metamorfose de Monga. Eu me sentia tão frustrado em não conseguir vencer aquele medo dentro de mim.
Pra encerrar essa história do passado, a oportunidade surgiu na última festa de Nossa Senhora da Conceição, onde sem querer, descobri um parque que ainda mantinha a tradição, pouco em voga, de promover os shows horripilantes de Monga. Agora era hora. Monga estava ali dentro, uma fila pequena, gritos lá de dentro de dali a pouco a leva de espectadores antes da minha, sai do baú de um caminhão em debandada por uma escadaria pouco confiável quando se imagina o estado que as pessoas dessem por elas, várias vezes em uma mesma noite.
Chegou a minha vez. Já conhecia em detalhes o truque de espelhos que gerava aquela ilusão, mas na hora preferi esquecer e voltar a ser aquele menino amedrontado com os pelos que surgiam do corpo de Monga. O lugar era apertado, abafado, escuro, quente e com um cheiro horrível. Nada que me fizesse desistir daquele intento que poderia terminar comigo atracado ao macaco, esbofeteando o dito cujo para descarregar meus traumas. Vi o espetáculo, me lembro de ter rido algumas vezes, fui um dos últimos a sair do grupo, fiquei com vergonha de ficar olhando parado o macaco tentando destruir sua jaula. Naquele noite dormi e me acordei muito melhor.
Com 20 janeiros e mais um pouquinho, já está mais do que na hora de confessar alguns traumas, até para exorcizá-los de vez. Vou começar por um que me atormenta até hoje: o arrependimento de nunca ter suplantado meu medo de conhecer Monga, a mulher macaco. A mitológica criatura, ainda hoje, é o símbolo dos meus medos. Toda vez que penso em amarelar, Monga aparece.
Tive inúmeras oportunidades de entrar no container escuro onde a tosca boazuda virava um gorila horrendo, todo parque de diversões tem. Hesitava, me encorajava, chegava na porta e voltava. Já cheguei até a pagar ingresso e voltar da porta, pedindo que um primo meu fosse no meu lugar, pra ver pela terceira vez naquela noite a metamorfose de Monga. Eu me sentia tão frustrado em não conseguir vencer aquele medo dentro de mim.
Pra encerrar essa história do passado, a oportunidade surgiu na última festa de Nossa Senhora da Conceição, onde sem querer, descobri um parque que ainda mantinha a tradição, pouco em voga, de promover os shows horripilantes de Monga. Agora era hora. Monga estava ali dentro, uma fila pequena, gritos lá de dentro de dali a pouco a leva de espectadores antes da minha, sai do baú de um caminhão em debandada por uma escadaria pouco confiável quando se imagina o estado que as pessoas dessem por elas, várias vezes em uma mesma noite.
Chegou a minha vez. Já conhecia em detalhes o truque de espelhos que gerava aquela ilusão, mas na hora preferi esquecer e voltar a ser aquele menino amedrontado com os pelos que surgiam do corpo de Monga. O lugar era apertado, abafado, escuro, quente e com um cheiro horrível. Nada que me fizesse desistir daquele intento que poderia terminar comigo atracado ao macaco, esbofeteando o dito cujo para descarregar meus traumas. Vi o espetáculo, me lembro de ter rido algumas vezes, fui um dos últimos a sair do grupo, fiquei com vergonha de ficar olhando parado o macaco tentando destruir sua jaula. Naquele noite dormi e me acordei muito melhor.

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