Coração no Chaveiro
Ele vinha sendo sacudido na fila para entrar no ônibus, preso unicamente por uma correntinha frágil. Na catraca, fora amassado, mas pareceu não se abater por ser de um material fofo. Esquecido por sua dona, uma garota cheia de livros na mão, pendurado num dos zíperes da bolsa da tal garota, estava lá vivo, vermelho, grande: um coração.
O leitor poderia dizer que essa é uma cena banal. Quantas pessoas andam com corações estampados em tantos lugares, em camisetas, tatuagens, canetas, estampas, adesivos... Meu Deus! Por que todo mundo tem que andar com o coração a mostra? O que isso quer dizer? Me perguntava (sic) enquanto estava no ônibus, por falta de coisa melhor pra fazer. Seria um símbolo de amor à humanidade, de amor ao próximo, ao namorado ou a si mesmo? Poderia ser uma atitude desesperada de quem vê esse sentimento ruir nos nossos tempos e sai desenhando corações em tudo, pra talvez sentir ele mais vivo dentro da gente, sentir que temos coração, dizer a todo mundo que temos coração, colocando ele pendurado num chaveiro.
Taí meu coração pra todo mundo vê. Taí meu amor por você tatuado no meu braço, taí ele piscando na minha canetinha, Taí ele bordado numa toalha. taí pra todo mundo lembrar que ele está ai, mesmo que não sinta nada, não sirva pra nada, não ajude a gente a amar as pessoas, ele está aí no aperto do ônibus, no aperto das almas, na dor de viver num mundo cheio de gente e ser só.
sexta-feira, março 28, 2008
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