sábado, fevereiro 03, 2007

O Banquete da Leoa



A morte é um mistério para todas as civilizações. Por mais que sua religião aí garanta um harém com várias virgens ou uma morada tranqüila ao lado daquele que tudo criou ou não garanta nada além de um breu da não-existência, não é muito comum encontrar pessoas que queiram apressar a data do juízo final. O contrário, pelo menos, tem lotado os hospitais e instituições do gênero.

Como o mercado do alongamento da vida está muito concorrido, uma empresa pernambucana resolveu apostar no mercado da morte (Basta olhar os jornais e vê que o empreendimento terá êxito). Por que mesmo depois de nada na sua vida importar mais, quando chegue a indesejada das gentes, tem que ser com tudo que tem direito e é isso que a Rosa Máster vem garantir a seus clientes. Um enterro elegante, com direito a honrarias e decoração ao gosto do falecido.

Quando essa empresa chegou a pequena Nazaré da Mata, causou um estardalhaço mortal (com perdão do trocadilho besta). Todos naquela cidade queriam preparar a sua partida, mesmo que as condições impossibilitassem o indivíduo de acompanhar a homenagem. Mas o defunto não tem porque reclamar, pois estará instalado num confortável caixão forrado em seda, mesmo que este não possa se sentir confortável, pois seus nervos sensitivos já não estarão mais entre nós. O cliente escolhe o que será servido aos “convidados”(por falta de melhor termo), uma ambulância estará à postos para socorrer àquelas esposas que sentiram mais falta de seus maridos ou as Capitus menos discretas que se desatem a chorar encima do caixão. Um violino pode ficar tocando a marcha fúnebre, se por acaso o cliente estiver disposto a incluir no plano de seguro da Rosa Máster uma módica quantia mensal. O chefe da família pode escolher fazer o plano família e assim garantir a sua ida tranqüila, a de sua senhora e seus filhos.

Antes de que possam pensar que sou incrédulo, digo-vos, escassos leitores, não fiz o plano da Rosa Máster por uma questão simples: não quero bancar uma festa da qual eu não possa participar. Por isso já revelo um trecho de meu testamento. Quero que doem tantos órgãos quanto forem possíveis e que joguem o resto do presunto na jaula da simpática leoa, Grace Kelly, que eu conheci há alguns anos e, com sua amabilidade, me encantou de cara. Espero ser apetitoso para não ficar esquecido na geladeira dela e passar da validade.

4 comentários:

Anônimo disse...

Realmente esse post é intrigante. Pô, para que tanta mordomia num caixão se o fim de todos é o mesmo? Acho q o o Pinochet teve o mesmo fim q seu josé da padaria. Viro pó.

Valeu, cara, parabéns.

Vanessa Lee disse...

Eu gosto de um antigo costume de "beber o defunto". Calma, que não é nenhum ritual macabro!!! É simplesmente encher a cara e cantar a noite toda que durar o velório. E não me agrada essa história de apodrecer mesmo não... Se bem que vc dará um destino mto bom ao seu cadávaer!

Anônimo disse...

Hhauhahauhauha
Não posso deixar de rir.
Diante de tal possibilidade. Imgina só que plano maravilhoso. Desperdiçar o dinheiro com algo que já não tem mais sentido. Isso não vem ao caso, deixa pra lá.
Bom concordo plenamente contigo. Assim que morrer quero que doem todos os meus orgaos e mesmo não tendo conhecido a Grace Kelly seria uma otima ideia servir de comida para ela. Afinal de contas serei apenas matéria sem vida U.u
Então que pelo menos tenha utilidade.

Curtir teu blog.
Beijo

Anônimo disse...

Será que a Grace Kelly gosta de carne de cássio?