P.N.
Quando eu estou sem absolutamente nada para fazer, me ocorre três coisas perigosíssimas: 1) comer brigadeiro na panela; 2) Ter planos malucos para fazer coisas mirabolantes, que eu nunca vou ter tempo de fazer na vida, como escrever um Épico Olindense ou compôr a trilha de um musical; 3) Pensar besteiras paranóicas. O costume me ensinou a lidar com essas coisas de maneira sensata, isso quando cada um desses sintomas do ócio aparece ao seu tempo, não todos juntos de uma tacada só num dia de chuva torrencial, fazendo que eu parecesse um guloso ansioso obsessivo paranóico compulsivo workaholic, coisa que eu não sou de maneira alguma.
Foi um golpe baixo do ócio. Comecei bem tranquilo peneirando o chocolate em pó para fazer um brigadeiro que se tornaria inofensivo, uma vez que eu ia dividir com a vizinha, que possivelmente me elogiaria e me perguntaria o segredo dele não pegar no fundo da panela e por ai vai... Um filminho em DVD é bom pra acompanhar... deixe-me ver Chaplin não, um desses blockbusters, também não, ver pela 14ª vez E o vento levou, será? Terminei vendo um jogo da Copa. Na metade do 2º tempo, quando findou o brigadeiro, começou a fervilhar na minha cabeça o plano de aprender canto, na hora, já pensei mil coisas, como sempre. Já estava escolhendo o repertório do primeiro show, planejando shows de tributos, versões inusitadas de Nirvana e Calypso. Duetos! Sonhando com duetos, imaginando que eu seria a única pessoa no Recife que conheceria o chuco-chuco eletrônico da Colômbia e organizaria o Festival Internacional do Chuco-chuco Lationamericano na Praça do Arsenal com...
Uma passeada pelos meus perfis em redes sociais e uma ideia me toma a cabeça: Quem são meus detratores? Será que eu tenho detratores? Será que existem pessoas que tem mais tempo sem nada o que fazer do que eu e ficam lendo as entrelinhas do que eu digo pela rede e afiam críticas sobre a minha pessoa? E o pior é pensar quem seriam esses detratores que tendo tanta personalidades, saradas e gostosonas para ver na internet preferem ver a minha vida? Será que isso existe? Não seria obsessão da minha cabeça, uma obsessão megalomaníaca? Pensar que é obsessão é muito mais cômodo para ignorar o que existe. Eu vou parar por aqui, já me confessei demais. Será que eu me expus demais? Será que eu devo publicar essa postagem? Que bom que amanhã eu volto a rotina.

Um comentário:
Muito legal seu espaçozinho. Nem sei de onde você é, nem quem é. Só sei que encontrei seu mundinho, nessas voltas que costumo dar. Tenho blog também, se quiser, visite-me.
Postar um comentário