quinta-feira, outubro 18, 2007


O Barão, o Desembargador e a Devassa



Ser feliz não é ocioso

Passar dias festivais,

Nem ter cofre precioso

Pejado de cabedais;

Não, isto não é ventura;

Ao mesmo Creso tortura

A agonia do sofrer;

Vive o rico na opulência,

Mas desgostoso a existência

Não cessa de maldizer.

Esses são os primeiros versos do poema Felicidade do filhinho de papai, advogado, político, aristocrata baiano e de vez em quando, poeta Frankilin Dória, o Barão de Loreto. Eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras, foi o fundador da cadeira 25 da ABL. Escolhido para o cargo devido a versos como esses que meus poucos e distintos leitores acabaram de ver. Vocês puderam ver também que qualquer pessoa que sobesse arrumar palavras refinadas no papel já podia concorrer a uma cadeira na ABL.

O Barão de Loreto participou de um dos casos mais marcantes da justiça brasileira: O famigerado caso do Desembargador Pontes Visgueiro.

O velho Desembargador tinha pra lá de 60 anos, aposentado e viúvo contratou uma empregada nota 10. Pra vocês terem uma idéia o apelido dela era Mariquinhas Devassa (Tá lá nos autos do processo) O velho sem agüentar o rebolado da morena pura espécie maranhense, engatou uma ardente romance com Mariquinhas. Só que Pontes Visgueiro queria ela só pra ele. Ai é sacanagem! Toda aquela opulência de morena ser posse de apenas um homem. O velho não admitiu a traição, ou melhor, as traições e esquartejou a moça, depois enterrando o corpo no quintal de casa, no dia 14 de agosto de 1873 (Se o leitor aprecia detalhes sórdidos, os seios dela ele dilacerou com os dentes, seria isso um fetiche?)

A notícia do crime se espalhou pelo Maranhão e toda a população pedia pena de morte para Pontes Visgueiro. O negócio tava feio pro velho desembargador, ai que entra o Barão de Loreto. O nobre de Itaparica aceitou defender Visgueiro e abrandou a pena de morte inventando que o velho não estava em seu juízo perfeito. Pressionado, mas pressionado mesmo, pela população que ficava fazendo piquete na porta do fórum, o juiz decretou “pena de galés perpétua” em 13 de maio de 1874 e quando o embolador erudito Barão de Loreto se preparava para burlar a lei e soltar o cliente, Pontes Visgueiro não agüentou e faleceu um ano depois de ser preso.

A filha de Mariquinhas Devassa fez história no Maranhão, enfeitiçou todos os homens e era conhecida como Glorinha Derruba-Valente. O Barão de Loreto, até o último dia da sua vida era parado na rua e nos saraus para comentar o caso Pontes Visgueiro.

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