Vítor, o rebelde
O Jornal do Commercio, em matéria de Zé Teles, já anunciava que um jovem pianista andava sacudindo o hermetismo das partituras. Seu nome, aconselho que guarde, fiel leitor, Vítor Araújo. Confesso desde já o meu pouco ou nenhum conhecimento da área, contudo, interessado que sou pela subversão cultural, resolvi acompanhar a polêmica e como algumas centenas de pessoas, fui ao You Tube e assisti às performances do rapaz, que remexia clássicos como Asa Branca e composições de Heitor Villa Lobos. Fiz logo ligações com outros subversivos, como Chico Science, os românticos europeus e outros mais. O frisson teve no dia seguinte à publicação da matéria de Zé Teles, um outro capítulo. O emérito maestro Marlos Nobre escreveu uma carta desaprovando as inovações de Vítor à sua célebre composição: Frevo. E ainda ensaiou um embate jurídico para fazer o “rebelde” pagar por suas invenções iconoclastas.
O curioso é que há 90 anos, uma outra subversiva recebia críticas de outro tradicionalista, era a jovem pintora Anita Malfatti, que depois de trazer as vanguardas européias para uma exposição em 12 de dezembro de 1917, teve que engolir o artigo reacionário de Monteiro Lobato, publicado em 20 de dezembro no jornal O Estado de S. Paulo. O artigo intitulado “Paranóia ou mistificação” questionava a adequação artística da pintura de Anita, falava que ela transgredia regras básicas. Vilipendiava as realizações de seus amigos “futuristas” (assim ele chamava os modernistas de 22), chamo-os de estrelas cadentes, classificou as pinturas de Malfatti de “extravagâncias”, reconheceu o talento da jovem pintora, mas disse que estava torcida para a “má direção”. As coincidências com a carta do Maestro Marlos são, no mínimo, interessantes, além do que Anita tinha a mesma idade de Vitor quando expôs seus polêmicos quadros.
Faço votos, de verdade, que essa atitude de Vítor, inicialmente interpretada como uma iconoclastia musical sem sentido ou, para alguns, uma falta de profissionalismo, seja amadurecida naturalmente com os anos e torne-se uma verdadeira resignificação da música clássica no Brasil.
O Jornal do Commercio, em matéria de Zé Teles, já anunciava que um jovem pianista andava sacudindo o hermetismo das partituras. Seu nome, aconselho que guarde, fiel leitor, Vítor Araújo. Confesso desde já o meu pouco ou nenhum conhecimento da área, contudo, interessado que sou pela subversão cultural, resolvi acompanhar a polêmica e como algumas centenas de pessoas, fui ao You Tube e assisti às performances do rapaz, que remexia clássicos como Asa Branca e composições de Heitor Villa Lobos. Fiz logo ligações com outros subversivos, como Chico Science, os românticos europeus e outros mais. O frisson teve no dia seguinte à publicação da matéria de Zé Teles, um outro capítulo. O emérito maestro Marlos Nobre escreveu uma carta desaprovando as inovações de Vítor à sua célebre composição: Frevo. E ainda ensaiou um embate jurídico para fazer o “rebelde” pagar por suas invenções iconoclastas.
O curioso é que há 90 anos, uma outra subversiva recebia críticas de outro tradicionalista, era a jovem pintora Anita Malfatti, que depois de trazer as vanguardas européias para uma exposição em 12 de dezembro de 1917, teve que engolir o artigo reacionário de Monteiro Lobato, publicado em 20 de dezembro no jornal O Estado de S. Paulo. O artigo intitulado “Paranóia ou mistificação” questionava a adequação artística da pintura de Anita, falava que ela transgredia regras básicas. Vilipendiava as realizações de seus amigos “futuristas” (assim ele chamava os modernistas de 22), chamo-os de estrelas cadentes, classificou as pinturas de Malfatti de “extravagâncias”, reconheceu o talento da jovem pintora, mas disse que estava torcida para a “má direção”. As coincidências com a carta do Maestro Marlos são, no mínimo, interessantes, além do que Anita tinha a mesma idade de Vitor quando expôs seus polêmicos quadros.
Faço votos, de verdade, que essa atitude de Vítor, inicialmente interpretada como uma iconoclastia musical sem sentido ou, para alguns, uma falta de profissionalismo, seja amadurecida naturalmente com os anos e torne-se uma verdadeira resignificação da música clássica no Brasil.

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